seg, 26 de janeiro de 2026
Investigação do ‘Domingo Espetacular’ revela suposta estrutura de espionagem e perseguição contra aliados de João Campos, visando as eleições de 2026.
Uma investigação jornalística veiculada na noite deste domingo (25) pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, trouxe à tona denúncias graves sobre a conduta da Polícia Civil de Pernambuco. A reportagem expôs documentos, mensagens e depoimentos que indicam o suposto uso do aparato policial do Estado para vigiar e perseguir adversários políticos da governadora Raquel Lyra (PSD), em um movimento antecipado de disputa eleitoral para 2026.
“Nova Missão” e Monitoramento Ilegal
O material exibido apresentou conversas de um grupo de WhatsApp de policiais intitulado “Nova Missão”. Nas mensagens, agentes trocariam informações sobre o monitoramento de alvos políticos, incluindo o compartilhamento de fotografias.
A denúncia aponta ainda o uso de táticas de espionagem sem respaldo judicial, como a instalação clandestina de rastreadores em veículos de servidores ligados a opositores. Documentos internos obtidos pela reportagem mostram que investigações teriam sido mantidas abertas sob a justificativa de “importância eleitoral”, mesmo após pareceres indicarem o arquivamento por falta de provas, o que juristas classificam como desvio de finalidade.
Alvo: Prefeitura do Recife
O foco central das supostas investigações irregulares seria o grupo político do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que atualmente lidera as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado. Um dos alvos citados seria o secretário de Articulação Política e Social da capital, além de outros servidores municipais que teriam sido vigiados sem a existência de inquéritos formais que justificassem a ação.
Denúncias de Pressão Interna
A reportagem ouviu o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE), Áureo Cisneiros. O sindicalista afirmou que há relatos de pressão e retaliação contra agentes que se recusaram a cumprir ordens consideradas ilegais ou com viés político, reforçando a suspeita de uso institucional da polícia para fins partidários.
O Outro Lado
Diante das acusações, a Polícia Civil de Pernambuco limitou-se a confirmar a inexistência de inquéritos formais contra os servidores citados e alegou não haver provas materiais. Até o fechamento desta matéria, o Governo de Pernambuco e a Secretaria de Defesa Social (SDS) não emitiram notas detalhadas rebatendo o teor das mensagens e documentos expostos.
O caso gerou imediata repercussão no meio político, com parlamentares cobrando a abertura de investigações independentes por órgãos de controle para apurar a legalidade das ações policiais e a responsabilidade da gestão estadual.
